Outros buscadores além do Google

Novos buscadores usam estratégias alternativas para ajudar você na web

 

A estudante de letras da Universidade de São Paulo Ariane Freitas, de 19 anos, faz parte da geração que nasceu respirando a internet. Para ela, digitar o endereço completo de um site no navegador está tão em desuso quanto o pronome de tratamento Vossa Mercê. Bem mais prático, diz, é digitar o nome no Google e ir direto para o link indicado. Mas Ariane não se considera dependente do buscador.

Quando seus objetivos são mais específicos, ela diz preferir outras ferramentas, que trazem buscadores na web resultados mais certeiros. “Procuro imagens diretamente no Flickr (álbum de fotos on-line) porque o resultado me agrada mais”, afirma. Para buscar ideias e inspirações para os posts que escreve em seus blogs, ela recorre ao Twitter (serviço de mensagens rápidas). Diferentemente de buscadores tradicionais, que demoram um tempo até indexar uma informação colocada na web, o buscador do Twitter faz isso na hora. “Isso é importante quando você quer pegar alguma coisa que aconteceu há dois minutos e não entrou ainda no Google. Mas já está no buscador do Twitter”, diz.

Ariane faz parte de uma turma que pode indicar a tendência da internet para os próximos anos. Apesar de o Google dominar o mercado de buscas, outras empresas de todos os tamanhos lançam sites alternativos, que tentam se consolidar em nichos ou virar a segunda opção do internauta. Alguns se concentram em temas específicos. Outros oferecem estratégias criativas para encontrar a informação. Eles querem uma parcela do mercado de publicidade on-line, que deu ao Google no ano passado US$ 22 bilhões.

Um buscador que ganhou certa notoriedade é o WolframAlpha, criado pelo físico britânico Stephen Wolfram. Em vez de indicar links para o internauta, ele tem a ambição de reunir informações sobre qualquer expressão que você digite. Como se fosse uma enciclopédia atualizada a partir de dados extraídos de outros sites. Funciona para países de língua inglesa. Mas informações sobre o Brasil são falhas. Na semana passada, não havia nada sobre a Praia de Ipanema. Há ainda buscadores científicos, como o Scirus, e sites, como o Hunch, o Akinator, o Mahalo e o Aardvark, que optam por estratégias tão bizarras quanto seus nomes (compare-as na tabela abaixo).

Há também quem encare de frente a briga com o Google. No início de junho, a Microsoft estreou seu novo buscador, o Bing. Além do visual exuberante, ele oferece alguns recursos a mais que o rival. Para usufruir do Bing, no entanto, o internauta brasileiro precisa alterar o país de origem para Estados Unidos e passar para a versão em inglês do site, onde os melhores recursos estão disponíveis. O objetivo é reduzir os cliques até chegar à informação desejada. Quando você busca vídeos, ele abre uma galeria de imagens. Se passar o cursor em cima de algum deles, você já assiste a um trecho. É possível também especificar qual é a fonte deles (YouTube, Hulu etc.), o tamanho da tela ou a resolução. Além disso, a atualização do site é, em alguns casos, instantânea. Se você digitar o código de um voo, o site informa, por exemplo, se ele está atrasado ou no horário.

 

ALTERNATIVA

Os números ainda firmam o Google como líder na maioria dos países do mundo. De acordo com medição do site StatCounter, o Google é responsável por cerca de 90% de todas as buscas realizadas. O segundo lugar é do Yahoo!, que tem 5,6% do mercado. A Microsoft soma 2,7%, na terceira posição, apesar de ter ficado à frente do Yahoo! nos primeiros dias de vida do Bing. Nada que pudesse preocupar o Google.

Algumas consultorias americanas fizeram uma análise do tráfego no início de junho e identificaram que o novo buscador da Microsoft estava ganhando mercado do Yahoo!, não do Google. “Houve um interesse inicial, mas isso pode não se configurar como uma tendência”, afirma José Calazans, analista do Ibope/NetRatings, uma das principais empresas de pesquisa do Brasil. “Até porque o Google é tão forte no mercado de buscadores como a Microsoft no de software.” O Ibope não divulga a audiência dos buscadores no Brasil. Mas estima-se que o Google tenha aqui uma participação semelhante a sua presença mundial.

Para manter essa liderança, o Google também não está parado. Sergei Brin, um dos fundadores do Google, diz que ficou impressionado com as novidades trazidas pelo Bing. Depois de anos administrando a empresa com certo distanciamento, ele convocou sua tropa de elite de engenheiros para analisar os algoritmos (códigos usados para melhorar a inteligência da busca) desenvolvidos pela Microsoft e criar algo parecido. Novos sistemas inovadores devem vir por aí. “Estamos longe de resolver o problema das buscas. Apenas começamos a brincar com o que teremos no futuro”, afirma Felix Ximenes, diretor de comunicação do Google no Brasil.

Fonte: Site Revista Época

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