20 dicas para montar um negócio de sucesso- Parte1

Se você tem vontade de ser um empreendedor, veja como é possível deixar a insegurança de lado e partir para essa jornada

Atire a primeira pedra quem nunca teve vontade de montar um negócio. Seja numa situação de desemprego, seja pela vontade de ganhar autonomia, todo mundo já foi cutucado pelo desejo de se tornar o próprio patrão. Mas a grande questão é: quantos desistem de colocar o seu sonho em prática? A maioria dos “aspirantes” a empresários, com certeza, joga a toalha antes mesmo de dar o primeiro passo. A razão está no medo. As pessoas têm pavor de apostar seu capital na montagem de um negócio e acabar perdendo investimentos que muitas vezes demoraram anos para serem acumulados.

Marcos Hashimoto, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper, diz que o Brasil tem muitas oportunidades, mas os empreendedores não estão bem preparados para aproveitá-las. E acabam sucumbindo. Um exemplo é que cerca de 27% das micro e pequenas empresas paulistas fecham as portas no primeiro ano de existência. Além dos ventos muitas vezes desfavoráveis que afetam a economia brasileira, a razão para o fracasso está na falta de planejamento. Com os pés no chão, a chance de vencer a insegurança e ser bem-sucedido aumenta muito.

Os que alcançam o sucesso são aqueles que corretamente identificam as oportunidades e tiram bom proveito delas. E que não se intimidam. “Acima de tudo, é importante ter perseverança, determinação e não se deixar levar pelas circunstâncias agressivas, que muitas vezes ameaçam a construção de um negócio. É fundamental levantar-se rapidamente das quedas”, afirma Hashimoto.

Apesar de todos os empecilhos, o número de pessoas que se aventuram em busca de seus ideais é grande no Brasil. Não é à toa que o país está sempre em lugar de destaque quando se fala em empreendedorismo. Paulo Veras, ex-diretor geral do Instituto Endeavor, diz que o perfil do brasileiro é marcado por ousadia. “O brasileiro se sente mais confortável em lidar com o risco do que outros povos”.

O medo que envolve montar um negócio estará sempre presente. Ele é até saudável, desde que não imobilize. O livro Como Fazer uma Empresa Dar Certo em um País Incerto, editado pelo Instituto Endeavor, descreve a importância do medo: “(…) O medo de não dar certo é absolutamente essencial, pois serve para que o empreendedor conheça seus limites e calcule o tamanho de seus riscos”.

Se você se inclui no universo de candidatos a empreendedores que têm vontade de montar um negócio, mas estão tomados pelo medo dos riscos e incertezas, juntamos 20 dicas (que podem ser lidas nas próximas páginas desta reportagem), dadas por especialistas em empreendedorismo, para ajudá-lo a criar coragem para ir em frente e construir uma história de sucesso. Dê seu primeiro passo e boa sorte!

1. Conheça o seu próprio perfil
Ao pensar em montar um negócio, deve-se levantar o seguinte questionamento: quais são os papéis que terei que exercer como dono de uma empresa? Segundo o consultor Marcelo Cherto, presidente do Grupo Cherto, existem três figuras nas quais o empresário pode se encaixar: empreendedor (que toma as decisões e define o direcionamento do negócio); gestor (que administra a empresa); e operador (que executa o trabalho). “Essas coisas nem sempre estão claras na mente do empreendedor. É importante identificar no que eu sou bom para trabalhar, pois é difícil exercer de forma eficiente as três figuras”.

A primeira pergunta a ser feita é: o que eu sei fazer? “Isso vai definir como será estruturado o negócio”, ressalta Cherto. Ter ciência sobre suas limitações e explicitá-las é fundamental para delinear o caminho do negócio. “Muitas vezes, a falta de competência em algumas áreas faz com que o empresário tenha que pensar na busca de um sócio que o complemente, ou seja, que seja capacitado em outras competências importantes que garantam o sucesso do negócio”, diz o consultor.

Marcos Hashimoto, do Insper, diz que o autoconhecimento é crucial no momento de montar um negócio. “Quanto mais você sabe sobre você mesmo, mais você sabe onde pode pisar e onde tem que tomar cuidado”. Marcelo Aidar, professor da FGV-SP, diz que, conhecer seu próprio perfil, no estágio inicial, em que se define se partir para o negócio próprio é o caminho certo, é mais importante do que a pesquisa de mercado. “É difícil enxergar as oportunidades quando não conheço direito qual é o meu verdadeiro perfil”, avalia.
Aidar exemplifica com o caso de uma freqüentadora assídua de bares que resolveu montar um. “A empresária não sabia, na verdade, o que significava abrir um bar. Depois de um ano, ela fechou as portas”, afirma. “É muito diferente você freqüentar um bar e gerir um bar”.

Segundo o livro Como Fazer uma Empresa Dar Certo em um País Incerto, da Endeavor, a decisão por uma carreira empreendedora deve passar por um processo de autoconhecimento e não por uma mera comparação dos atributos pessoais com os de empreendedores de sucesso. “De uma forma geral, os empreendedores bem-sucedidos são aqueles que sabem o que fazem bem e identificam o que não têm capacidade ou talento para fazer, para pedir ajuda ou para desenvolver uma habilidade”.

2. Prepare-se: leia, busque conhecimento, estude
Ter preparo e conhecimento são condições fundamentais para garantir a abertura de um negócio. Para isso, busque leituras – livros, sites, estudos, publicações –, faça cursos sobre empreendedorismo e gestão. Hashimoto destaca que muito do medo que o candidato a empresário tem é por causa da falta de informações. “Muitos são marinheiros de primeira viagem e não sabem como dar seus primeiros passos. Quanto mais eles dominarem as informações, mais segurança terão. Esse conhecimento constante sobre o negócio é fundamental para o empreendedor. É importante estar preparado para a realidade do que é abrir um negócio”, diz Cherto.

As informações ajudam a perder o medo do incerto. “Você consegue trabalhar isso identificando quais são as áreas que não domina. Por exemplo, se não sabe o que é fluxo de caixa, corra atrás de um curso a respeito do tema. Identifique as áreas que você desconhece e se capacite nelas”, enfatiza Paulo Veras, ex-diretor geral do Instituto Endeavor.

Cherto cita um exemplo de uma empresa de serviços de datilografia. Uma datilógrafa recebeu um convite de seu marido para sair da empresa onde trabalhava e montar uma empresa própria de serviços de datilografia. A profissional sabia tudo sobre a expertise do negócio, pois 80% do seu trabalho significava prestar esse tipo de serviço. Ao mudar o foco para seu próprio negócio, as suas funções passaram a envolver 80% vendas e gestão. Foi aí que ela se atrapalhou, pois não tinha esse tipo de capacitação. Como empresária, ela teria que gerir o negócio e não estava exercendo bem esse papel.

“Quanto mais você se desenvolve como gestor de negócios, você fica mais seguro e preparado e isso ajuda a minimizar os obstáculos enfrentados pela empresa ao longo de sua vida”, conclui Marcos Hashimoto.

Depois de cinco anos trabalhando em uma multinacional da área de consumo, André Kina partiu para vôo solo. Trabalhou durante todo o tempo em que ainda era empregado na ideia de se tornar seu próprio patrão. Fundou a 4Bio, empresa especializada em medicamentos especiais. Ao longo do tempo em que trabalhou como empregado, acumulou conhecimento sobre o melhor modo de tomar decisões. Mas, para se sentir mais seguro, saiu do emprego, foi cursar um MBA e trabalhar como consultor. “O conhecimento ajuda você a minimizar os riscos de seu plano de negócio”.

3. Mantenha a mente aberta
Ter a mente aberta é fundamental para ajudar a espantar o medo de abrir um negócio. “Isso ajuda o empreendedor a estar aberto para novas ideias que, muitas vezes, podem mudar o rumo planejado para um resultado ainda mais positivo”, diz Marcelo Aidar, da FGV-SP.

Para ajudar a clarear a mente, um dos primeiros passos a serem tomados é fazer um brainstorm (ao pé da letra, tempestade de ideias), ou seja, deixar que você e outras pessoas envolvidas em criar o negócio possam livremente, sem preconceitos, falar tudo o que vier à cabeça – para só depois organizar os pensamentos.

“Aceitar ideias de outras pessoas ajuda a se desprender daquilo que não sai do lugar”, ressalta Aidar. Aceitar críticas, sugestões e ideias sem restringir o campo de exploração dessas informações é o conselho dado pelo especialista. “Muitas vezes, isso ajuda a trazer à tona uma idéia que de repente pode ser inovadora. O empreendedor fica com a sensação de como se tivesse descoberto a América”.

Jamais tenha receio de expressar suas ideias, aconselham os especialistas. “E nem tenha medo de que alguém possa roubar sua iniciativa”, diz Marcos Hashimoto, do Insper. “Nós sempre corremos o risco de que a ideia seja roubada, mas isso pode ser minimizado por se escolher pessoas de confiança, que agreguem informações ao nosso projeto”.

O especialista destaca que empreender não é uma atividade individual. “Empreender é uma atividade coletiva. Você não detém sozinho toda a habilitação para ser empreendedor. Se você achar que a idéia deve ser somente sua e não compartilhada, ela será limitada e com certeza terá furos. Mas se você abrir mão dessa autoria, com certeza o desenvolvimento da ideia será muito melhor. E, quando você perceber alguns tropeços, conseguirá corrigir a tempo, sem perder recursos”.

4. Explore múltiplas ideias de negócios
Ao abrir a mente e aceitar uma determinada ideia, é importante mantê-la aberta, ou seja, não permita que a ideia inicial fique restrita a um único direcionamento. “O empreendedor tem que aproveitar e explorar novas ideias, abrir seu leque de opções para minimizar os erros na criação da proposta de seu negócio”, ressalta Marcelo Aidar, da FGV-SP. Pensar em canais de venda diferenciados ou em um público-alvo pouco explorado pode ser uma boa saída para o futuro negócio. “Isso agrega valor ao negócio”.

Marcos Hashimoto, do Insper, diz que explorar múltiplas ideias é uma forma de o empreendedor não ficar com apenas uma resposta. “Quanto mais opções, mais fácil fica a escolha”. Ter uma ideia a mais traz conforto para escolher o caminho certo. “Eu ficaria mais confiante se tivesse mais de uma ideia para poder comparar e escolher”.

Em nosso país, a maioria das pessoas não faz essa exploração de ideias, de acordo com Hashimoto. “O brasileiro toma a decisão no calor do momento e não tem o costume de ir atrás de novas ideias. Ele não está acostumado a planejar e não tem tempo de buscar uma outra solução”, afirma. Mas nem sempre a primeira ideia é a melhor. “Nem que custe mais tempo e mais esforço, o importante é não cair na tentação de abraçar a primeira ideia que surgir”, aconselha.

Proprietário do restaurante Josephine, em São Paulo, Jesse de Andrade era dono de um açougue quando o seu mercado começou a ficar enfraquecido. “Os supermercados dominam o setor e meu negócio foi enfraquecendo”, lembra. O empresário decidiu então fechar o estabelecimento e foi buscar ideias no mercado. Andrade já tinha sua clientela – o comércio ficava em frente a um colégio de classe média alta –, e por isso pensou em seguir caminho paralelo e abrir algo ligado à alimentação. Em 2000 nasceu o restaurante, que hoje é um dos mais badalados da cidade.

A busca por novas ideias não acabou na abertura do Josephine. Andrade exercita a máxima todos os dias. “Sou aberto para sugestões, pois sei que sempre existe alguma idéia que pode tornar meu negócio ainda melhor. Por isso procuro conversar constantemente com meus clientes para saber deles o que pode ser feito para melhorar os serviços da casa”. Duas ideias já viraram realidade: a criação de comandas eletrônicas para agilizar o fechamento da conta e a instalação de campainhas digitais, que facilitam a solicitação dos serviços dos garçons da casa.

5. Faça o que você gosta
Se você amar o seu negócio, terá trilhado uma boa parte do caminho para o sucesso. “Quem faz aquilo de que gosta tem muitas chances de se dar bem, pois é bem mais difícil ser dono de um negócio do qual você não gosta do que ser empregado numa empresa onde está infeliz. O empregado ‘desliga’ dos problemas da empresa e o empresário, não”, explica o consultor Marcelo Cherto.
O consultor cita a si mesmo como exemplo. “Eu faço aquilo que eu gosto. Eu respiro meu negócio durante 24 horas por dia. Durmo com um bloquinho e uma caneta ao lado da cama, pois acontece muito de eu acordar no meio da madrugada com alguma ideia interessante. Estou sempre trabalhando: enquanto estou dormindo, quando estou na beira do mar. Mas isso não me deixa exausto, pois eu adoro o que faço. Você trabalha muito mais como empresário do que como empregado. Por isso, esse amor é importante para garantir o estímulo para a busca constante de ir sempre além”.

Marcelo Aidar, da FGV-SP, afirma que, quando o empreendedor faz o que gosta, tem melhores condições de “fazer melhor”. “O empreendedor vai se dedicar com prazer, vai procurar ficar por dentro de tudo o que envolve o mercado onde seu negócio vai ser inserido. Ele identifica as melhores saídas, acaba colocando mais amor na construção e na condução da empresa e, buscando o melhor, o negócio tende a dar certo”.

Roberto Bitelman, sócio-diretor da agência de viagens AuroraEco, diz que trabalhar com gosto é fundamental para o bom andamento da empresa. “Isso faz com que as coisas funcionem bem. Essa felicidade reflete tanto para dentro da empresa quanto para os meus colaboradores.” Por trabalhar com o setor de turismo, essa premissa ainda se torna mais importante, na opinião do empresário. “Nossos clientes percebem o quanto nos envolvemos com as viagens. Vendo sonho e felicidade. É o que me dá mais prazer”.

Continue lendo as dicas 6 a 1o, clique aqui

Fonte: PEGN


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